17/09/2009

A Igreja Católica e a Ditadura Militar no Brasil

 Tempo que o Brasil viveu grande repressão e censura
Percebemos toda esta história em arquivo e vários livros de nossa história e é lendo estes arquivos que percebemos a segurança de uma determinada visão sobre a Igreja Católica. A Conferencia Nacional de Bispos do Brasil(CNBB),teve valiosa importância nas lutas de camponeses nordestinos que buscavam melhorias de vida.

O apoio da Igreja aos militares foi decisivo para a concretização do golpe de estado que levaria o pais a uma ditadura de vinte anos. Assim a Igreja, temendo que o mesmo sucedesse na América Latina, a igreja católica combateu a ameaça comunista. Nas missas era comum padres acusar os comunista de praticar heresias e ateus inimigos da fé. Dentro da igreja católica começou um movimento de repudio à repressão, o envolvimento do clero com militantes resistentes ao regime, e a própria proteção do clero aos perseguidores e torturados.

Dom Paulo Evaristo Arns, foi um símbolo de defesa dos direitos humanos do Brasil, ele denunciou as torturas do regime militar. Outros bispos que fizeram historias foram dom Hélder Câmara e dom Paulo Evaristo, que fizera voz ativa contra a repressão e diante desta nova posição da igreja, a ditadura prendeu, torturou e matou padres. Houve derramamento de sangue por toda a corporação de sacerdotes. A Teologia da Libertação que deu os primeiros passos da década de 50, passou a ser uma grande força no Brasil logos após os anos 70, houve uma grande virada e a igreja católica brasileira ficou quase toda unida contra a ditadura militar.

Com o passar do tempo, vários salões paroquiais se tornaram espaços de discusão política, o que obrigava muitos trabalhadores e pequenos agricultores a se sentirem acolhidos pela igreja.

No início do golpe militar em 1964, algumas pessoas pensavam que aquela situação seria passageira, no entanto o golpe veio e as mesmas características também vieram juntas, tudo isto feito na calada da noite, assim sendo, quando a população acordou os militares já estavam no poder. E tudo isto mostra a força da direita que sempre foi mais organizada que a esquerda, foi air que as forças militares criaram os famosos Atos Institucionais(AI) Com estes atos chegaram as torturas e perseguições.

Os Ais afetaram toda a sociedade brasileira, porem estes Ais, conhecido com AI-5 foi totalmente desumano , deixando seqüelas físicas e psicológicas em todos. Este Ato foi instalado no Brasil no governo de Arthur da Costa e Silva, sendo publicado em 13/12/1968,lhe dava assim o direito de pôr em recesso o Congresso Nacional, decretar intervenção em Estados e Municípios,suspender direitos políticos, proibir manifestações sobre assuntos políticos e muitos outros atos. O Ato durou 10 anos, dando direitos e poderes a Costa e Silva e seus sucessores. Neste período foi implacável a censura à imprensa, os assuntos cortados não eram substituídos por notícias inofensivas e sim por poemas de heroísmo.

Joel Marques   acadêmico de Jornalismo da faculdade Rsá Picos-PI

CEBs E A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO

As comunidades Eclesiais de Base, CEBs, surgiram no Brasil nos difíceis e duros anos da ditadura militar no Brasil, sob a inspiração do Concílio Vaticano II, (1962-1965), se espalharam principalmente nos anos 1970 e 80 no Brasil e na América Latina. As CEBs, como se tornaram popularmente conhecidas, eram núcleos populares de nutrição da fé e mobilização por direitos sociais. As CEBs eram grupos de pessoas, principalmente ligadas à Igreja Católica, que morando no mesmo bairro ou nos mesmos povoados, se encontravam para refletir e transformar a realidade à luz da Palavra de Deus e das motivações religiosas. Daí o nome de Comunidades Eclesiais de Base, que se tornaram popularmente conhecidas por CEBs.

A partir de uma vivência bastante intensificada nas comunidades, através de reuniões semanais e, em alguns casos até diárias, em virtude de uma postura de “entrega total à causa”, essas células sociais começavam também a reivindicar pequenas melhorias nas comunidades rurais, nos bairros, mas, ao mesmo tempo, iniciavam uma caminhada para tomar consciência da situação social e política. Queriam a transformação da sociedade. Inspiradas no método "Paulo Freire" de alfabetização de adultos, executavam uma metodologia que levasse da conscientização à ação. Por causa dessa prática encarnada na realidade, com discussões bem concretas, as CEBs tiveram um papel importante no processo de democratização do país.

O professor Faustino Luiz Couto Teixeira, especialista sobre o assunto, escreve que "nos anos 70 e início dos 80, falava-se muito no impacto da atuação das CEBs no campo sócio-político, enquanto geradoras de uma nova consciência das camadas populares e fator de grande importância no processo de libertação dos pobres." Em outras palavras, essas pequenas comunidades cristãs, que tinham de 20 a 100 membros, eram consideradas um novo sujeito popular (Petrini, 1984), capaz de reverter a situação de pobreza e apontando para uma nova sociedade mais justa e fraterna.

Depois veio a chamada abertura democrática e o fim da ditadura, houve a crise no Leste europeu e a decadência do modelo socialista da Rússia; houve a afirmação do capitalismo e o neoliberalismo ganha ainda mais espaço. Com esses acontecimentos que marcaram a segunda metade dos anos 80 e se expandiram nos anos 90, as Comunidades Eclesiais de Base tiveram que repensar sua identidade.

Mais especificamente no interior da Igreja Católica, as CEBs queriam rever uma estrutura muito piramidal, de cima para baixo. Incentivadas pelo Concílio Vaticano II vislumbraram uma maior participação dos leigos e um processo mais participativo de tomada de decisões. Ao redor da imagem de "povo de Deus", que foi caracterizada pelo Concílio, as comunidades sentiram-se parte ativa na construção do Reino de Deus. Houve quem aplaudisse e quem desqualificasse essa atitude como algo que ameaçasse destruir a estrutura de dois mil anos da Igreja. Falava-se da prioridade do carisma sobre a instituição (Frei Leonardo Boff) e usava-se o método das ciências sociais para analisar a Igreja. Substituir a tradicional filosofia pelas ciências sociais representava o risco de introduzir a análise marxista dentro da Igreja. Começou-se, então, a falar do perigo comunista na Igreja e muitos ficaram alarmados.

Um pouco de história

É difícil afirmar com precisão o momento exato do surgimento da primeira Comunidade Eclesial de Base. Mas, sabe-se que os ventos do Concílio Vaticano II sopraram nessa direção. O trabalho Movimento de Educação de Base (MEB), também ajudou no surgimento das CEBs. Desse modo, as CEBs fazem parte dos movimentos mais amplos de renovação eclesial, iniciados no início do século XX e sancionados pelo Concílio Vaticano II. As CEBs no Brasil foi exatamente a experiência única e marcante do Vaticano II. Este Concílio revelou seu potencial pastoral em sua abertura para o mundo e para a história e, ao mesmo tempo, sua densidade de reflexão, postulando a imagem da Igreja como sendo o Povo de Deus a caminho. As CEBs resgataram esses aspectos através da releitura que a Conferência de Medellín, na Colômbia (1968) e Puebla no México (1979) fizeram na América Latina. Medellin preencheu o imaginário eclesial com a temática da Libertação e Puebla com a evangélica opção pelos pobres.

Traços característicos das CEBs

A leitura e a reflexão sobre a Palavra de Deus é um traço característico das CEBs. Muitas comunidades começaram como reuniões bíblicas que iluminavam a vida das pessoas. À medida em que a vida comunitária se organizava foi introduzido também o culto dominical ou a celebração da Eucaristia.

A participação e a discussão dos problemas em forma de assembléia caracterizou muitas Comunidades de Base. A metodologia participativa inclui a colaboração de todos na discussão, na solução e no encaminhamento concreto do problema. Se, por exemplo, o tema é o desemprego, há no final um compromisso concreto que é assumido por todos: preparam-se cestas com alimentos básicos que são distribuídas aos desempregados. Esse espírito desencadeou a emergência de ministérios leigos que foram se multiplicando a partir das necessidades apresentadas pela comunidade. há ministros da Palavra, ministros da Eucaristia, ministros da pastoral da moradia, do trabalho, do menor.

Além das atividades pastorais, muitos serviços englobam mulheres e homens em clubes e pequenas organizações: hortas comunitárias, clubes de mães, alfabetização de adultos e, muitas vezes, grupos de sustentação dos movimentos populares. Esses serviços destacam o compromisso das CEBs com os mais pobres e a relação conseqüente entre fé professada e vida concreta. É propriamente o compromisso com as camadas mais desfavorecidas da população que tornaram as CEBs profundamente ativas no campo social. O pobre não é visto como problema, mas como solução no processo de construir uma nova sociedade.

Por fim, o horizonte para o qual as CEBs se deslocam é a prática concreta de Jesus e o sonho de realizar o Reino de Deus. Termos como justiça, fraternidade, solidariedade, compromisso e caminhada revelam, de um lado, o seguimento de Jesus e, de outro, a vontade de implantar concretamente o Reino de Deus.

As CEBs em Picos

Foi com a chegada de Dom Augusto Alves da Rocha, eleito como primeiro Bispo de Picos em 28 de maio de 1975 e empossado no dia 21 de setembro do mesmo ano, que as Comunidades Eclesiais de Base começaram a funcionar na área geográfica da Diocese de Picos. Antes da chegada de Dom Augusto Rocha, as comunidades existentes desempenhavam mais intensamente as atividades de catequese no aspecto da formação religiosa. Com a instalação da Diocese, uma das providências do Bispo foi trazer para a cidade o Movimento de Educação de Base (MEB), que muito contribuiu para a articulação das comunidades. O trabalho do MEB já era conhecido por Dom Augusto Alves da Rocha, mesmo antes de se tornar bispo. Devido ao conhecimento que tinha sobre as ações do MEB, posteriormente, Dom Augusto Rocha se tornou Membro do Conselho Diretor Nacional do MEB(Movimento de Educação de Base), de 1993 a 1999 em Brasília e Presidente Nacional do Órgão no ano de 2000.

Dom Augusto Alves da Rocha proporcionou um grande avanço para a formação das Comunidades Eclesiais de Base, na Diocese de Picos, através das Assembléias Diocesanas de Pastoral. Nesses encontros realizados anualmente e que prosseguem até os dias atuais, os membros das CEBs, têm direito a voz e voto. Os leigos engajados nas comunidades e escolhidos para participarem dessas assembléias debatem e votam decidindo as prioridades a serem implementadas nas áreas pastorais, paróquias, e na diocese, inclusive nas questões relacionadas com as análises políticas e a postura que a Igreja local deve ter sobre questões importantes.

Muitas lideranças sindicais e políticas surgiram na região de Picos, a partir da vivência nas CEBs. Algumas delas chegaram a ocupar e ainda ocupam cargos públicos em prefeituras e câmaras municipais. Isso, provavelmente não ocorreria se não existissem as Comunidades Eclesiais de Base, já que o coronelismo sempre comandou no interior nordestino.

As CEBs continuam seu trabalho na Diocese de Picos, ainda que tenham perdido muito daquela empolgação inicial. Para oferecer novo ânimo a essas comunidades, são realizados os Encontros Intereclesias de CEBs. Este ano de 2009, o evento aconteceu em Porto Velho, Rondônia, com a presença de milhares de participantes. Os membros das CEBs, que nasceram sob a égide de “Um novo jeito de ser Igreja”, agora buscam motivação para reavivar suas ações com “Um novo ardoar missionário”. Os integrantes das CEBs continuar a alimentar o sonho de “construir uma nova sociedade”. É a teimosia cristã de viver a utopia de que: “Uma nova sociedade, mais justa e fraterna é possível”.

Aluno - Erivan Lima , acadêmico de Jornalismo da faculdade Rsá Picos -PI

A economia entre 1960 até 1985 e suas conturbações inflacionárias

A sociedade brasileira, principalmente os mais pobres viveram um período de muita repressão, uma vez que o país foi governado pelos militares durante vinte anos

ECONOMIA

O plano de metas era voltado, para a industrialização acelerada e para a realização das obras de infra-estrutura. Em razão disso JK definiu cinco grandes áreas em que seu governo prometeu investir dinheiro público: energia, transportes, alimentação, indústrias e educação.

De fato durante o governo JK, ocorreu um grande aumento da produção industrial, principalmente no setor de bens de consumo duráveis, como automóveis geladeiras fogões etc.

Entre 1955 a 1961, a produção industrial cresceu 80% ( descontada a inflação), com a percentagens mais altas registradas pelas indústrias de aço ( 100%), indústrias mecânicas ( 125%) indústrias elétricas e de comunicação ( 380%) e indústrias de equipamentos de transportes ( 600%).


O governo Médici ( 1969/74) foi mais repressivo da história brasileira. Qualquer pessoa suspeita de ser subversiva podia ser detida, torturada e morta sem que a família soubesse.

O MILAGRE ECONÔMICO

Durante o governo Médici a economia brasileira cresceu em torno de 10% ao ano, uma das maiores taxas da história do capitalismo. O ministro da Fazenda, Antônio Delfim Neto conseguiu empréstimos volumosos no exterior e atraiu capitais estrangeiros, concedendo-lhes facilidades para atuar no Brasil.

A RECEITA DO MILAGRE

O ministro da Fazenda, Delfim Neto, dizia ser preciso fazer o bolo crescer e só depois pensar na divisão. Uma das formas usadas foi comprimir os salários dos trabalhadores.

O FIM DO MILAGRE

EM 1973, último ano do governo Médici, por motivos internos e externos o ‘milagre econômico’ começou a dar sinais de esgotamento.

Fonte (Coleção História Sociedade & Cidadania – Alfredo Boulos Junior)


Década de 1980

O marco cronológico é, portanto, os anos de 1981 e 1985. O ano de 1981 distinguiu-se pela fundação da Revista de Economia Política.

A década de 1980 foi consagrada na historiografia como marco de intenso processo de estagnação econômica acompanhado de elevadas taxas de inflação, fruto do esgotamento das estratégias desenvolvimentistas, que agravava o quadro de concentração de renda e de aprofundamento das desigualdades sociais.

Decorrente desta constatação, a inflação transcende sua dimensão tipicamente monetária, generalizando-se como fenômeno que passa a estar presente nos países centrais e não mais restrito à esfera do sistema econômico dos países subdesenvolvidos.

Fonte: Economia e Democracia na Revista de Economia Política (1981-1985)

Francisco das Chagas acadêmico de Jornalismo da faculdade Rsá